Postagens

Crônicas

Crônica 1- Sobre a Morte Eu nunca pensei tanto na morte quanto tenho pensado, a lgo que está suavemente presente em uma reflexão que acompanha sempre meu olhar: " O agora que já vai, o vínculo que se desfaz, eterna transmutação". Semana passada, uma das mais belas beldades da cidade, foi de maneira repentina... Aneurisma Tão nova,  costumava ver ela no clube... Era abastada, cursou arquitetura, e assim que terminou o curso, já tinha escritório montado e uma lista de clientes, todos amigos e conhecidos dos seus pais, amigos da época de escola, a alta classe média da cidade vive numa espécie de seita. Não éramos conhecidos, se trocamos meias palavras, foi só uma vez... Já tinha um aspecto efermiço, pouco saudável, branca feito osga, pequena e pouco feita a sorrisos... Ainda com esses predicados, tinha uma beleza de encanto pictórico, um estilo americano de filme slasher dos anos 80, para aqueles que tem uma queda pelo olhar de peixe morto, essa moça evoca esse encan...

CRITICA DE FILME 5

Imagem
  RODAN – (ISHIRO RONDA ,  1956)  Rodan é um pteranodonte e esse é um filme de kaiju, a partir disso, o filme todo já está resumido. E partindo desse sentido, o filme em si é bastante explicito em suas propostas temáticas, em um primeiro momento temos uma situação que afeta os trabalhadores de uma mineradora e a presença dos primeiros monstros, até há uma conversa sobre aquecimento global, e dentro dessa trama da mineradora temos a única trama humana, que seria de um personagem que é suspeito no ataque dos trabalhadores. Em seguida, um confronto direto contra esses insetos (ninfas), que no fim servem apenas de alimento para Rodan, uma ameaça muito maior, que traria efeitos para além do microcosmo da mineradora. A monstro, voa como um caça supersônico, até há uma explicação para isso, mas o motivo de isso estar acontecendo é bem explicitado pelos personagens, e é o uso de energia atômica, mais precisamente efeito das bombas pelos EUA, em Hiroshima e Nagasaki.   Eu f...

CRITICA DE FILME 4

Imagem
O rei de novo York  ( Abel Ferrara, 1990) - tenho saudade de escrever mas escrevo mal -"Eu não sou o problema, sou apenas um empresário"  Eu gostaria de me sentir à vontade ao escrever um texto, de saber exatamente o que eu quero fazer; manipular um objeto, dominar as regras e ter uma clarividência do contexto, é um patamar para poucos, poderia citar agora Lebron James, astro do basquete que nessa temporada bateu o recorde de pontos da história da liga. Eu que comecei a me interessar por basquete tardiamente, vindo do futebol, sempre tentei encontrar relações que pudessem me traduzir o que eu estava assistindo, mas a verdade, é que é impossível.  São jogos completamente diferentes, e um jogador para chegar a um patamar próximo do King James, precisa ter um domínio de vários fundamentos do jogo. No futebol, a defesa fica muito longe do ataque, de forma que um jogador como Messi, não necessariamente precisa ser um grande marcador. Aliás, é até uma anedota, que certos jo...

CRITICA DE FILME 3

Imagem
  Seis mulheres para o assassino, o protagonista somos nós Mario Bava é um diretor italiano que em comparação a seus pares, não recebeu tanta pompa e até o momento da realização desse filme, só havia trabalhado com filmes populares e de baixo orçamento, seja épicos (Peplum) ou filmes de horror gótico. O filme “Seis Mulheres para o Assassino” (1964), é considerado um dos pontapés iniciais para o Giallo no cinema, junto com o curta do telefone em “Black Sabbath” (1963) e a “Garota que Sabia Demais” (1963). Claro que toda essa definição é um olhar em retrospectiva, uma percepção de o quão influente foi uma obra, que não necessariamente pensava em ser influente, e até por isso talvez ressalte seu valor. Ainda mais se tratando de cinema popular. Mas o que “Seis Mulheres para o Assassino” têm de tão influente? A proposta do filme é clara, somos colocados dentro de um jogo de detetive e temos que descobrir quem é o assassino, o filme vai colocando pistas através de planos detalhes,...

Tradução 1

O ano de 2022 foi marcante na minha cinefilia principalmente pela incursão no cinema de Michelangelo Antonioni, em especial em  A aventura (1960), intrigado por todo e qualquer material relacionado ao filme, encontrei pelos mares pseudo-obscuros da internet o livro: "Michelangelo Antonioni- The Architecture of vision: Writings and interviews on cinema ( 2007, University of Chicago)".  Meu foco foi ir direto ao capitulo L´avventura: The Adventures of L´avventura, e encontrar um relato que eu já tinha ouvido de forma resumida pela boca de Monica Vitti nos extras do dvd, porém com mais detalhes e de certa forma uma impressão profunda sobre o sentimento do filme. Gostaria de compartilhar esse texto, como forma de fomentar o debate sobre esse filme, segue a tradução da tradução:  As aventuras da L`aventura (7 "Le avventure dell'Aventura," from Carriere della Sera, 31 May 1976. Translated by Allison Cooper.) Há muitos jeitos de falar sobre um filme, e muitas pessoas...

Conto ou prosa #1

Imagem
Lendas e assombrações de Belém foi um livro bastante popular no momento que saiu, na vila onde eu morava durante um bom tempo as crianças se reuniam para ouvir as velhas contando as historias que estavam no livro. Uma dessas historias já havia ouvido antes, era a historia da "mulher do taxi", a premissa é simples, uma moça passeia de taxi no dia do seu aniversario, ao final da corrida, sem dinheiro, informa o endereço ao motorista onde pode cobrar, ao chegar lá é recebido pelos pais da moça que informam que ela já havia morrido há muito tempo. A historia tem variações comuns de tradição oral, mas no geral não foge muito desse esquema.  Alguns anos depois eu iria adquirir esse livro,  o autor Walcyr Monteiro reune varios relatos da historias e traz algumas fotos como a  da sepultura de Josephina Conte, a proposta é reunir essa tradição oral, e construir a partir dessas varias versões, uma versão "definitiva". É um trabalho bastante interessante, talvez falta um rigor...

CRITICA DE FILME 2

Imagem
ZARDOZ, 1974 Diretor: John Boorman O filme começa com a icônica abertura dos estúdios Fox, o que para mim, como gatilho de muitas lembranças, foi um prenuncio de algo desanimador. Não querendo crucificar todos os filmes produzidos pela Fox, ou desqualificando qualquer filme que tenha uma produção americana, mas, pelas poucas imagens que eu tinha visto do filme esperava uma produção bem distante dos grandes estúdios e seus padrões hollywoodianos, que estão dispostos a fazer de tudo para não se arriscar. Com as expectativas reduzidas, segui no filme, e o começo já entra uma cabeça nos contando uma história de algo que ainda vai acontecer, no ano de 2232 (salvo engano), o que eu acho uma decisão inteligente de se fazer num filme sobre futuro pois, evita as pessoas falarem que no ano de 2015 não existem skates voadores. Por todos os elementos que o filme trabalha, eu encaro ele muito mais próximo de uma fantasia do que de uma ficção cientifica. Apesar, de sempre me lembrar de que fi...